Yeltsin pede votos pela estabilidade

Ao encerrar sua campanha em Moscou, presidente louva a "dignidade humana"e ataca responsveis pelo atentado do metr

MOSCOU - Em comcio na Praa Vermelha, ao qual compareceram cerca de 100 mil pessoas, o presidente Boris Yeltsin afirmou ontem que no permitir que a violncia prejudique as eleies russas. "Ns escolhemos a liberdade e a dignidade humana, mas infelizmente h quem se oponha a esta escolha", disse ele, numa referncia ao atentado a bomba que no dia anterior causou a morte de quatro pessoas no metr de Moscou. Segundo Yeltsin, a Rssia no perdoar os responsveis pelo crime: "Eles no tero futuro."

O presidente - que encerrou a campanha em Moscou, mas que amanh participar de um ltimo comcio, em Iekaterimburgo, sua cidade natal - exortou os moscovitas a votarem pela permanncia da estabilidade e a manterem a calma, para que nada afete o brilho das eleies de domingo. Seu principal adversrio, o candidato comunista Guenadi Ziuganov, reuniu-se  noite com milhares de universitrios, aos quais previu a desintegrao de mil anos da histria russa caso o eleito seja Yeltsin. Referindo-se  poltica posta em prtica pelos atuais detentores do poder, afirmou: "Agora est bem claro que eles no eram reformadores, mas sim assassinos de nossa ptria". De manh, seus seguidores tinham feito uma caminhada pela cidade, encerrada com comcio na Praa Lubianka, onde ficava a sede da KGB, a extinta polcia poltica sovitica. Apesar da apresentao de cantores e msicos, a manifestao no atraiu mais do que 2 mil pessoas.

Independncia - Tambm o candidato ultranacionalista Vladimir Jirinovski participou de ato pblico, com assistncia reduzida. Em todos os comcios, os oradores citaram, com diferentes apreciaes, a passagem, ontem, do Dia da Independncia, feriado nacional, que recorda a declarao de soberania do Parlamento russo, em 1990.

Com a ausncia de Ziuganov, a personalidade de maior destaque do comcio comunista da manh foi Stanislaw Terekhov, candidato a prefeito de Moscou. Ele acusou as "foras de Iri Luzkhov", o atual titular do cargo, de estarem ligadas ao atentado do metr. "Luzkhov  uma marionete dos extremistas e dos provocadores", disse. Horas antes, ao final do encontro com o presidente Yeltsin e com o ministro das Emergncias, o prefeito anunciara a tomada de medidas especiais para garantir a segurana dos moscovitas. "Estou convencido de que houve motivao poltica no caso. Lamentavelmente,  impossvel excluir de maneira absoluta a possibilidade de atentados terroristas numa cidade grande", disse ele na ocasio. A polcia, que ainda no tem pistas conclusivas dos criminosos, recebeu, por telefone, novas ameaas de bomba, a se concretizarem ainda esta semana.

Nenhum grupo assumiu a responsabilidade pelo atentado, mas as principais suspeitas esto voltadas para separatistas chechenos, que h algum tempo tinham ameaado realizar atos terroristas em Moscou e em outras grandes cidades russas. Em nota, o Partido Comunista manifestou sua "ira e indignao" e exigiu a captura dos responsveis. Por sua vez, o ultra-nacionalista Jirinoviski disse que por trs do atentado esto as foras que duvidam de sua vitria. Ele no esclareceu, contudo, a que foras se referia.

Diferena - Pesquisas sobre inteno de voto divulgadas ontem por dois dos mais acreditados organismos de consulta da capital confirmaram a tendncia para a vitria de Yeltsin, mas por uma diferena insuficiente para a eleio no primeiro turno. Para o Instituto de Sociologia e Parlamentarismo, O presidente receber 40% dos votos e Ziuganov, 31%. Segundo o diretor do instituto, Nuzgar Betaneli, a prevista vitria de Yeltsin se explica pelo fato de sua equipe ter conseguido convencer a sociedade de que a reeleio favorece a economia do pas. O erro da campanha comunista, por sua vez, estaria ligado s reiteradas denncias de que as autoridades vm preparando uma fraude eleitoral. "Isso prejudicou Ziuganov", comentou.

As pesquisas do Centro de Estudos Sociolgicos da Opinio Pblica, dirigido por Iuri Levada, apontam 35% para Yeltsin e 30% para Ziuganov.  de 4% a margem mxima de erro nas sondagens dos dois institutos.
